Nem todas as batalhas são visíveis. Gentileza também é reconhecer que não estamos percorrendo o mesmo caminho.
Às vezes, olhamos para alguém e pensamos que falta disciplina, coragem ou dedicação. Mas a verdade é que quase nunca conhecemos a história inteira: Não vemos as noites mal dormidas, as preocupações que essa pessoa carrega, as perdas, os medos, o cansaço ou as responsabilidades que ela enfrenta em silêncio. Por isso, acredito que a comparação quase sempre é injusta.
Não existe uma única régua capaz de medir todas as histórias. Cada pessoa está enfrentando desafios que os outros desconhecem, e muitas vezes, o que parece pouco esforço para quem observa de fora representa uma enorme conquista para quem está vivendo por dentro.
Sempre acreditei que não faz sentido orientar as pessoas a cuidarem da saúde sem buscar viver isso também. A maternidade mudou muita coisa. Durante um tempo, a prioridade foi a minha família e também manter o consultório.
Como acontece com tantas mulheres, por um período me deixei em segundo plano.
Há algum tempo, decidi voltar a cuidar de mim, voltei a treinar. Nem todo treino aparece por aqui, mas nem toda a organização, as decisões e a rede de apoio que tornam esse momento possível também aparecem.
Hoje, já consigo perceber os resultados dessa constância, não apenas na disposição ou na saúde, mas principalmente, na forma como me sinto.
Toda conquista costuma ter uma parte que ninguém vê, é justamente essa parte que exige mais de nós.
Como acupunturista, sempre acreditei no cuidado integral. A acupuntura faz parte desse caminho, assim como a atividade física. Um não substitui o outro, eles se complementam. É assim que escolho cuidar dos meus pacientes e também de mim.
Entre tantos papéis, continuo escolhendo cuidar de mim.
Pele real, em tratamento real.
Nem todo desafio é visível, a dor nem sempre aparece nos exames e nem toda mudança na aparência deveria virar comentário.
Às vezes, o corpo está apenas tentando sobreviver ao que a mente silenciou por muito tempo. É por isso que a acupuntura vai muito além do tratamento físico, ela também é acolhimento, escuta e compreensão dos sinais que o corpo manifesta em silêncio.
Muitas vezes, antes mesmo das palavras, o corpo já está pedindo ajuda: através da insônia, da ansiedade, do cansaço constante, das dores e da exaustão emocional.
Cuidar da saúde também é aprender a olhar para si com mais gentileza.
Antes de comentar sobre a aparência de alguém lembre-se: você não conhece as batalhas silenciosas que aquela pessoa enfrenta todos os dias, em que o corpo manifesta e a acupuntura traduz.
A vida tem uma forma muito particular de nos lapidar. Nem sempre acrescentando, muitas vezes, retirando: a pressa, a necessidade de agradar, o medo de desagradar e as versões de nós que já não cabem.
A lapidação deixa marcas, mas também revela uma força mais serena, uma beleza menos óbvia, a liberdade de já não precisar provar quem somos.
Com o tempo, compreendi que amadurecer não é tornar-se perfeita, é tornar-se inteira.
Um dos maiores presentes da vida é perceber que ser lapidada nunca foi sobre perder quem eu era, mas sobre deixar para trás tudo aquilo que eu nunca precisei ser, até que permaneça apenas a essência.


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